
Da minha varanda gosto de observar as chegadas e partidas no aeroporto. Ali, vários destinos se cruzam, não só os destinos das fantásticas máquinas voadoras, mas também das várias pessoas que por ali passam.
Umas pessoas chegam apressadas, outras saem devagar. Umas chegam tristes, outras vão alegres. Umas esperam aflitas, outras mais tranquilas. Umas gostam de fazer barulho, outras gostam do silêncio. Várias pessoas diferentes, mas todas se igualam em um fato: ninguém permanece, em um momento ou outro elas vão embora.
É assim na nossa vida. Nem sempre teremos perto de nós aqueles a quem amamos. E também aqueles que não amamos tanto... Alguns vão mudar de emprego, outros vão mudar de escola. Uns vão mudar de cidade, outros de país. Uns vão nascer, outros vão partir antes que nós. Conheceremos uns, esqueceremos outros. No meio de todos estes acontecimentos, construimos nossa vida.
Às vezes vivemos como se existisse uma continuidade eterna na vida. E por isso, vivemos mal, desperdiçamos o tempo precioso que temos com aqueles que convivem conosco. Precisamos viver bem o agora. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” Mt. 6,34. É por isso que precisamos fazer diferença agora. Precisamos amar mais, precisamos ser “quentes”, ser sal na massa, ser luz no mundo. É fácil perceber pessoas que fazem diferença.
Outro dia um(a) amigo(a) me disse que não estava lidando bem com as chegadas e partidas das pessoas queridas. Queria sofrer menos, por isso a partir de agora tentava não mais se “apegar” tanto, inclusive lia um livro que a ajudava nesse intuito. Usando a liberdade da amizade, não vacilei em responder que o bom da vida é se apegar, é ter a amizade, é chegar em algum lugar e perceber o sorriso que provocamos com nossa presença. Não se apegar significa não aproveitar o contato que temos com as pessoas.
Como é bacana alguém dizer: “tá sumido, tem que aparecer mais”. “Cara, chegou na hora certa”. “Esse lugar já foi melhor frequentado”. “Só dá gente ruim aqui”.
Sofrimentos com as partidas sempre teremos, por isso temos que aproveitar o único momento que nos pertence: o agora. E se eu eu não ficar muito tempo perto de você, faço o mesmo pedido que Mário Quintana fez em um verso: “Se me esqueces, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho”.
Que Deus o abençoe nas suas chegadas e partidas.
É isso aí, Javé Yiré
Forte abraço
Uanderson
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