terça-feira, 20 de abril de 2010

Um esboço sobre o Sofrimento


Estudioso de ciências exatas, vendo o exemplo de grandes cientistas como Isaac Newton, sempre me permiti olhar além dos horizontes dos números e buscar significados maiores do que aqueles das respostas previsíveis que a eletrônica é capaz de fornecer. Assim, sinto-me convidado a esboçar algumas linhas sobre algo que é tema recorrente desde os primórdios da humanidade: o sofrimento.

Muitos tentaram explicá-lo, mas ninguém conseguiu uma resposta que satisfizesse a todos. Por isso me arrisco a dizer que o sofrimento incita em cada ser humano um questionamento e cada pessoa precisa buscar uma resposta que é unicamente sua. Assim, mediante o sofrimento, somos impelidos a dar uma resposta, ter uma atitude.

“E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José?” O poeta Carlos Drummond de Andrade retrata uma personagem que está em crise e lhe exige uma atitude imediata. Poema fantástico, retrata a nossa situação diante dos sofrimentos: algo precisa ser feito.

“No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (João 16,33). Isso é fato, é palavra de Deus, não há um ser que passe pelo mundo sem passar pelo território do sofrimento. Já nascemos sofrendo, precisamos de coragem. Para nós cristãos é a prova da nossa fé (1 Pedro 1,7). Assim, quando o sofrimento provocar o terremoto das emoções, precisamos de duas atitudes.

A primeira: precisamos sair dos escombros. Para isso, precisamos de muita força. Mas ninguém tem força se não fizer exercícios. Para o sofrimento são essenciais os exercícios espirituais. Além disso, nossos amigos, as pessoas que caminham conosco, podem e devem nos ajudar. Por isso é indispensável cultivar a amizade, o bom convívio, os relacionamentos sadios. Levantar uma parede sozinho pode ser impossível, mas acompanhado a tarefa é menos penosa.

A segunda: após a poeira se dissipar, precisamos levantar os olhos e enxergar a possibilidade de reconstruir tudo, mas não do mesmo modo, de um jeito novo, de um jeito melhor. Aqui também entram os amigos. Assim a construção será mais fácil e muito mais prazerosa. E é na construção que as respostas chegam. Se os seus olhos ainda não vislumbraram nem ao menos uma sombra de resposta no horizonte, é porque você não ergueu a cabeça, continua olhando para o chão.

Do sofrimento vivido e ainda vivendo, vislumbro um ensinamento que não posso guardar para mim: “O sofrimento separa o supérfluo do essencial”. Esse “filtro” nos diz que: não importa o salário que recebemos, a roupa que vestimos ou a casa que moramos. O que realmente importa é o amor que temos, um abraço apertado, uma conversa demorada com os amigos, o canto dos pássaros, o pôr do sol, a luz da lua e principalmente a nossa fé. São tesouros que a traça nem a ferrugem corroem. Tente comprovar isso.

E o que mais conforta é saber que não estamos sozinhos, João 14,16. Se permanecermos fiéis, os questionamentos virão, mas as respostas também virão, como a Maiêutica de Sócrates.

Repetindo: “O sofrimento separa o supérfluo do essencial”. E você, já está na fase das respostas?

É isso aí, Javé Yiré
Uanderson

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